A linguagem jornalística

A linguagem jornalística

Por Roseann Kennedy

Quando me pediram para escrever sobre linguagem jornalística, a primeira palavra que me veio em mente foi ‘honesta’. Porque é assim que a mensagem tem que ser com o fato e com o público. Afinal, como diz a máxima de Cláudio Abramo: “jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Esse exercício, porém, não é exclusivo do repórter ou do editor dos veículos de mídia, ele deve nortear a comunicação de todos que estão envolvidos com a notícia. 

Se você é o assessor de imprensa ou a pessoa que vai conceder a entrevista terá de assumir o compromisso com verdade. Caso contrário, não tenha dúvida, a farsa será descoberta a qualquer instante e destruirá pessoas e empresas. Portanto, se não é possível dar respostas sobre determinado assunto, é melhor dizer, objetivamente, que as informações serão apresentadas tão logo seja possível, em vez de ficar enrolando. 

Estamos entendidos sobre esse ponto? Então podemos passar adiante. 

Para comunicar bem é preciso falar com clareza, de forma simples e objetiva. Abandone os termos rebuscados e, quando for necessário usar expressões absolutamente setoriais, explique o significado. Jargões profissionais podem ser hábito no bate-papo entre colegas de trabalho, mas não fazem sentido para quem é de fora. Lembre que é preciso demonstrar conhecimento para passar segurança, mas jamais ser arrogante. 

 Mesmo se você já tiver a tranquilidade de que consegue dominar todos esses pontos e se comunicar sem titubear, saiba que para ter sucesso na linguagem jornalística – esteja você de qual lado for do balcão – será crucial saber para qual público e por meio de qual veículo transmitirá a mensagem. 

O rádio é o veículo mais rápido. Ótimo para divulgar informações urgentes, de utilidade pública, por exemplo. A mensagem tem de ser direta, como se você estivesse falando com uma pessoa ao seu lado. Lembre-se de que o receptor não terá apoio de imagens para visualizar a informação, tampouco terá como voltar para conferir. Na televisão, a linguagem também é conversada e conta com o recurso do vídeo para ilustrar. Então, é preciso cuidado para não repetir o óbvio e os telespectadores ficarem torcendo para você calar a boca. 

No impresso e no online, a manchete é a primeira voz que chega ao receptor. É ela que vai despertar o interesse do leitor por mais detalhes. E aí vem a questão da honestidade novamente, porque pode ser tentador usar um título sensacionalista para chamar atenção, mas o fundamental é o conteúdo da matéria. 

Daria certo jogar vôlei com luvas de box, usar salto alto para correr 100 metros rasos ou nadar com roupa de tenista? Claro que não. Na linguagem jornalística também é assim, se as especificidades dos veículos não forem observadas você corre o risco de desperdiçar tempo, espaço, ficar fora do tom e até pagar um grande mico.

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