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Indispensável, eu?

Indispensável, eu?

Por Marcelo Freitas
Estou sempre contigo. Durmo ao seu lado. Muitas vezes até bem mais junto, colado no mesmo travesseiro. Pela manhã, sou o primeiro para quem você olha. Não são raras as vezes que eu mesmo sou responsável por te acordar. O barulho pode te incomodar, mas me desculpa, é algo extremamente necessário. E outra: estou cumprindo as ordens que você talvez nem lembre ter me dado.

Mesmo que eu esteja na mesma mesa da sua adorada xícara de café, sou o centro das atenções. Você não tira os olhos de mim. Almoço, lanche e jantar são sempre na minha companhia. Fico envaidecido por isso. Mas também, convenhamos, sou eu que trago as primeiras notícias do dia, te coloco em contato com os amigos até mais distantes, faço compras e, dependendo da sua atitude, posso te arrumar um relacionamento sério. 

Sem mim, não haveria aquele simpático bom dia geral para todas as pessoas da família – mesmo aqueles que eu sei que você não gosta, nem o boa tarde, nem o boa noite. Eu aposto que você não consegue ficar uma hora sem me ver. Tá, pode até conseguir, mas tenho certeza que estará pensando em mim. Só eu sei qual é o tamanho do seu desespero quando você me deixa para trás. E quando eu dou aquele mergulho na água… quanta angústia! Você sempre faz esforço por mim. Já entrou em banheiro e até mesmo sentou no chão, tudo para que eu pudesse estar ali presente. São horas de convivência…

Este ano completei 46 anos. Sou tiozão, mas tenho uma capacidade de me reinventar até mais de uma vez por ano. A minha tatuagem de maçã mordida é a que mais agrada, mas ao longo do tempo fui fazendo tantas repaginadas que hoje tenho várias facetas.

Mudar para mim não chega ser um problema. Já fui enorme e raro. Houve uma época que se eu fosse pequeno, era sinônimo de status. Atualmente meu tamanho pouco importa, basta eu ser atrativo, algo que não chega a ser difícil, afinal sou multifuncional.

Virei popular. Não fiz esforço, mas já estou substituindo uma parente antiga que foi por muitos anos o centro das atenções. Dividindo e até – desculpa! – roubando a audiência.

Sou quase perfeito. Só não se esqueça da minha energia – necessária até três vezes por dia, fique atento! 

Caso contrário, amanhã não poderemos começar a contar juntos a nossa história outra vez.

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